Viagens
de Moraes em jato ligado a Vorcaro ultrapassam R$ 1 milhão
Foram
8 voos entre maio e outubro de 2025, segundo dados enviados à CPI do Crime
Organizado
Juliana
Alves de Brasília 14.abr.2026 (terça-feira) - 18h33
O
relatório final da CPI do Crime Organizado, elaborado pelo senador Alessandro
Vieira (MDB-SE), aponta que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, fez ao
menos 8 viagens em aviões associados a empresas ligadas ao fundador do Banco
Master, Daniel Vorcaro, entre maio e outubro de 2025. Os custos estimados
desses deslocamentos superam R$ 1 milhão, segundo levantamento técnico
divulgado pela imprensa.
Segundo
o documento, os deslocamentos foram no mesmo período em que o escritório de
advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato com o Banco
Master, com repasses mensais de até R$ 3,6 milhões. ...
De
acordo com o cruzamento de dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil),
do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e do Registro Aeronáutico
Brasileiro, 7 dos voos foram em aeronaves da Prime Aviation, empresa da qual
Vorcaro foi sócio até setembro de 2025.
O
8º deslocamento foi em um Falcon 2000 pertencente à FSW SPE, empresa ligada a
Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e investigado pela Polícia Federal. A
aeronave, segundo a Anac, não tem autorização para operar como táxi aéreo.
O
relatório também menciona mensagens obtidas pela Polícia Federal que indicariam
encontros entre Moraes e Vorcaro em datas próximas aos voos. Em uma troca de
mensagens de maio de 2025, Vorcaro relatou a então noiva, Martha Graeff, que
estava “em casa” com “Ciro e Alexandre”, em referência ao senador Ciro Nogueira
(PP-PI) e ao Ministro.
Para
o relator, a coincidência entre encontros e viagens sugere uma relação de
proximidade entre o ministro e o investigado. O documento afirma que a situação
pode comprometer a “aparência de imparcialidade” do magistrado, sobretudo
diante dos vínculos financeiros entre o Banco Master e o escritório de Viviane.
O
gabinete de Moraes declarou que as informações são “ilações” e afirmou que o
ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia”.
Já o escritório Barci de Moraes confirmou a contratação de voos da Prime
Aviation, mas disse que os serviços seguiram “critérios operacionais” e que os
custos foram compensados com honorários advocatícios previstos em contrato.
A
CPI também aponta que o escritório da mulher do ministro recebeu R$ 129 milhões
do Banco Master entre 2024 e 2025, sendo R$ 80 milhões efetivamente pagos. Para
o relator, o volume financeiro e a natureza da relação configurariam hipótese
de impedimento legal, por envolver interesse direto de cônjuge em caso potencialmente
submetido ao Judiciário.


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