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segunda-feira, 20 de abril de 2026

VIAGENS DE ALEXANDRE DE MORAES EM JATO LIGADO A VORCARO ULTRAPASSAM R$ 1 MILHÃO

Viagens de Moraes em jato ligado a Vorcaro ultrapassam R$ 1 milhão
 
Foram 8 voos entre maio e outubro de 2025, segundo dados enviados à CPI do Crime Organizado
 
Juliana Alves de Brasília 14.abr.2026 (terça-feira) - 18h33


O relatório final da CPI do Crime Organizado, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), aponta que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, fez ao menos 8 viagens em aviões associados a empresas ligadas ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, entre maio e outubro de 2025. Os custos estimados desses deslocamentos superam R$ 1 milhão, segundo levantamento técnico divulgado pela imprensa.
 
Segundo o documento, os deslocamentos foram no mesmo período em que o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato com o Banco Master, com repasses mensais de até R$ 3,6 milhões. ...
 
De acordo com o cruzamento de dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e do Registro Aeronáutico Brasileiro, 7 dos voos foram em aeronaves da Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. 
 
O 8º deslocamento foi em um Falcon 2000 pertencente à FSW SPE, empresa ligada a Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e investigado pela Polícia Federal. A aeronave, segundo a Anac, não tem autorização para operar como táxi aéreo.
 
O relatório também menciona mensagens obtidas pela Polícia Federal que indicariam encontros entre Moraes e Vorcaro em datas próximas aos voos. Em uma troca de mensagens de maio de 2025, Vorcaro relatou a então noiva, Martha Graeff, que estava “em casa” com “Ciro e Alexandre”, em referência ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao Ministro.
 
Para o relator, a coincidência entre encontros e viagens sugere uma relação de proximidade entre o ministro e o investigado. O documento afirma que a situação pode comprometer a “aparência de imparcialidade” do magistrado, sobretudo diante dos vínculos financeiros entre o Banco Master e o escritório de Viviane.
 
O gabinete de Moraes declarou que as informações são “ilações” e afirmou que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia”. Já o escritório Barci de Moraes confirmou a contratação de voos da Prime Aviation, mas disse que os serviços seguiram “critérios operacionais” e que os custos foram compensados com honorários advocatícios previstos em contrato.
 
A CPI também aponta que o escritório da mulher do ministro recebeu R$ 129 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, sendo R$ 80 milhões efetivamente pagos. Para o relator, o volume financeiro e a natureza da relação configurariam hipótese de impedimento legal, por envolver interesse direto de cônjuge em caso potencialmente submetido ao Judiciário.
 

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