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EXPRESS YOURSELF! DON'T BACK DOWN! “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” [1 TIMÓTEO 01:15]

segunda-feira, 4 de maio de 2026

A DETURPAÇÃO HISTÓRICA E TEOLÓGICA SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE OU LGBT+

A DETURPAÇÃO HISTÓRICA E TEOLÓGICA SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE OU LGBT+


Ao longo dos séculos, determinados trechos bíblicos foram traduzidos, interpretados e instrumentalizados de forma equivocada para sustentar discursos de exclusão, especialmente contra pessoas LGBT+. Uma análise honesta dos textos originais — em hebraico, aramaico e grego — revela que a condenação nunca esteve direcionada à orientação sexual, mas sim a práticas abusivas, exploração sexual, violência, dominação e degradação moral.
 
O ERRO DAS TRADUÇÕES BÍBLICAS
Um dos exemplos mais conhecidos está em 1 Coríntios 6:9-10, escrito por Paulo por volta do ano 55 d.C.. Nas traduções modernas aparece o termo “efeminados” e “homossexuais”, porém essas palavras não existem no texto grego original.
 
Os termos usados são:
  • Malakoi (μαλακοί): literalmente “macios”. No contexto greco-romano, significava homens moralmente dissolutos, preguiçosos, irresponsáveis, que viviam na promiscuidade e exploração, não homens homossexuais.
  • Arsenokoitai (ἀρσενοκοῖται): termo raro, provavelmente criado por Paulo, que se refere a homens que exploravam sexualmente outros homens, especialmente jovens, escravos ou menores — prática comum na pederastia grega e em abusos ligados a poder econômico e social.
Ou seja, o texto condena abuso sexual, exploração, pedofilia, prostituição forçada e corrupção moral, não relações afetivas consensuais entre adultos.
 
A associação direta entre “homossexualidade” e pecado só aparece nas traduções bíblicas a partir do século XX, especialmente na Revised Standard Version (RSV) de 1946, nos Estados Unidos. Antes disso, nenhuma Bíblia falava em “homossexual” como identidade.
 
DAVI E JÔNATAS: UM AMOR EVIDENTE NAS ESCRITURAS
A relação entre Davi e Jônatas, narrada em 1 Samuel (século X a.C.), é um dos exemplos mais claros de um vínculo amoroso intenso entre dois homens na Bíblia.
 
Alguns trechos são explícitos:
  • “A alma de Jônatas se ligou à alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma.” (1 Sm 18:1)
  • “O amor de Jônatas me era mais maravilhoso do que o amor das mulheres.” (2 Sm 1:26)
No hebraico original, o verbo “ahav” (amar) é o mesmo usado para relações conjugais. Não se trata apenas de amizade política ou fraternidade simbólica, mas de amor profundo, emocional e declarado, algo raramente permitido aos personagens bíblicos masculinos sem censura divina.


REIS, IMPERADORES E LÍDERES HOMOSSEXUAIS NA HISTÓRIA
A ideia de que a homossexualidade é “antinatural” ou “moderna” cai por terra diante da própria história:
  • Alexandre, o Grande (356–323 a.C.): teve uma relação amplamente documentada com Heféstion, seu general e companheiro mais próximo.
  • Imperador Adriano (76–138 d.C.): governante romano que viveu publicamente seu amor por Antínoo, mandando erguer templos e cidades em sua homenagem.
  • Júlio César (100–44 a.C.): acusado por contemporâneos de manter relações com homens, inclusive o rei Nicomedes da Bitínia.
  • Frederico II da Prússia (1712–1786): um dos maiores estrategistas militares da Europa, abertamente homossexual em correspondências pessoais.
  • Rei Jaime I da Inglaterra (1566–1625): manteve relacionamentos assumidos com homens da corte, inclusive George Villiers.

Esses líderes moldaram civilizações, impérios e culturas — sem que sua orientação os tornasse menos dignos, capazes ou legítimos.
 
A HIPOCRISIA SELETIVA DA FÉ
Muitos que rejeitam pessoas LGBT aceitam sem questionamento:
  • Uma cobra falante (Gênesis),
  • Uma humanidade surgida de incesto (filhos de Adão e Eva),
  • Um homem vivendo dentro de um peixe,
  • Um mar se abrindo,
  • Uma mulher engravidando sem relação sexual.
Mas consideram “impossível” ou “errado” que alguém simplesmente nasça LGBT. Isso revela não fidelidade a Deus, mas medo da diversidade humana. Se Deus cria tudo, como afirma a própria Bíblia, então Deus cria pessoas LGBT. Negar isso é limitar a divindade a preconceitos humanos.

ESPIRITUALIDADE: O ESPÍRITO NÃO TEM GÊNERO
No Livro dos Espíritos, publicado por Allan Kardec em 1857, a questão 200 afirma claramente:
  • “Os espíritos não têm sexo, pois o sexo depende da organização física.”
E mais:
  • “O mesmo espírito pode animar sucessivamente corpos masculinos e femininos.”
Ou seja, a identidade espiritual transcende gênero e orientação. O corpo é instrumento temporário; o espírito é eterno. Julgar alguém por sua expressão de gênero ou afetividade é ignorar a própria lógica espiritual.

CIÊNCIA, BIOLOGIA E NATUREZA
A ciência moderna já comprovou:
  • A existência de variações cromossômicas além do XX e XY (como XXY, XYY, XO).
  • Pessoas intersexo, cuja biologia não se encaixa em padrões binários.
  • Influência genética e neurológica na orientação sexual.
Na natureza:
  • Mais de 1.500 espécies animais apresentam comportamentos homossexuais e homoafetivos (documentado desde o século XX).
  • Animais como o peixe-palhaço mudam de sexo ao longo da vida.
  • Espécies intersexo existem naturalmente, sem intervenção humana.
Se a própria natureza expressa diversidade, negar isso é negar a criação.
 
A rejeição às pessoas LGBT não nasce de Deus, da Bíblia, da ciência ou da espiritualidade — nasce do medo humano, da manipulação religiosa e da tradução mal-intencionada de textos antigos. A mensagem central de Jesus nunca foi exclusão, mas amor, justiça, acolhimento e dignidade. Aceitar a diversidade humana não é ir contra Deus. É, talvez, a forma mais honesta de respeitá-Lo.
 
Thaynã Gabriele