CENARIUM
BRASÍLIA
Deputado
propõe fim de câmaras municipais em cidades com menos de 30 mil habitantes
Por
Ana Cláudia Leocádio
09
de abril de 2026 às 16:18
Atualizado
há 1 mês
BRASÍLIA
(DF) – Depois de declarar que “vereador e merda é a mesma coisa”, o deputado
federal Amom Mandel (Republicanos) apresentou uma proposta que pretende acabar
com as câmaras municipais em municípios com menos de 30 mil habitantes e
transformá-las em conselhos comunitários eleitos. A medida impactaria pelo
menos 70% dos 5,5 mil municípios brasileiros, prevendo mandatos de quatro anos
para os representantes, sem remuneração fixa e apenas com ajuda de custo por
sessão realizada. Segundo a proposta, a mudança também reduziria os cargos
comissionados.
Na
última terça-feira, 7, ao participar do programa Poder & Opinião, da NC
News TV, em Manaus, Mandel falou da experiência frustrante como vereador da
capital do Amazonas (2021-2023), quando não conseguiu realizar o que idealizou,
e acabou criticando os edis de forma pejorativa.
“Quando
eu entrei na política, eu pensava que ia mudar o mundo sendo vereador, o que
era, obviamente, uma idealização muito longe da realidade. Eu descobri que
vereador e merda é a mesma coisa. Um vereador não tem poder para fazer aquilo
que eu queria realmente fazer”, declarou o parlamentar.
Segundo
a assessoria do deputado, a PEC está em processo de elaboração e deverá ser
apresentada em maio, para dar início à coleta de assinaturas, para então
protocolá-la em outubro na Câmara dos Deputados. São necessárias, no mínimo,
171 assinaturas para que uma proposta dessa natureza seja aceita pela Casa.
Atualmente,
o Brasil possui 58.441 vereadores eleitos para a legislatura de 2025-2028. O
número de cadeiras em cada câmara não é fixa, pois é determinada pela população
local conforme determina o Artigo 29 da Constituição Federal: mínimo de nove
vereadores para cidades com até 15 mil habitantes e máximo de 55 para cidades
mais de 8 milhões de habitantes (apenas São Paulo se enquadra nesta faixa).
Para
municípios com menos de 30 mil habitantes, o número de vereadores é distribuído
em duas faixas principais: até 15.000 habitantes devem ter obrigatoriamente
nove vereadores. Entre 15 mil e 30 mil, o máximo são 11 cadeiras.
Segundo
o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, no
Amazonas há 38 municípios com população inferior a 30 mil habitantes. Japurá é
o menos populoso do Estado, com 8.858 habitantes, seguido de Itapiranga, com
10.162 habitantes.
Na
opinião de Mandel, o modelo atual dos legislativos municipais não falhou porque
foi definido para funcionar da forma atual. “Foi desenhado para beneficiar quem
se vende. Noventa e nove por cento dos vereadores não estão lá para fiscalizar
prefeito nenhum. Estão lá para negociar cargo. E o 1% que tenta trabalhar de
verdade é sabotado, isolado e silenciado pelo próprio sistema”, disse em texto
divulgado por sua assessoria.
Para
o deputado, sua proposta pretende reorganizar o modelo legislativo municipal e
não abolir o federalismo. “É fortalecer a democracia local. Cláusula pétrea
protege a autonomia do povo, não o privilégio de vereador”, justificou. A
REVISTA CENARIUM pediu cópia do texto da PEC que será apresentada por Amom
Mandel, mas até a publicação deste texto não obteve resposta.
Proposta
teria cinco eixos principais:
1º
– Criação de um modelo alternativo de representação legislativa para municípios
com menos de 30 mil habitantes: câmara de vereadores seria substituída por
conselhos comunitários eleitos, com mandato de quatro anos, sem remuneração
fixa — apenas ajuda de custo por sessão realizada. Os conselheiros manteriam poder
legislativo e fiscalizatório, mas em um formato enxuto e de dedicação parcial;
2º
– Blindagem orçamentária do Legislativo municipal: assegurar repasse automático
e vinculado à receita corrente líquida, sem intermediação do Poder Executivo,
para impedir prefeitos de usar liberação de recursos como instrumento de
pressão sobre vereadores;
3º
– Limita os cargos de livre nomeação no Executivo municipal (comissionados) a
no máximo 10% do total de servidores, exigindo processo seletivo simplificado
para os demais.
4º
– Assegurar direitos à minoria legislativa: projetos de lei (PLs) apresentados
por qualquer vereador teriam tramitação obrigatória em prazo máximo de 90 dias.
A minoria poderia convocar audiências públicas e instaurar comissões de
investigação independentemente da aprovação da mesa diretora. Objetivo é evitar
que presidentes aliados do prefeito engavetem as propostas;
5º
– Criação de mecanismos de participação popular com força deliberativa:
orçamento participativo obrigatório para pelo menos 10% da receita municipal e
plataformas digitais de transparência em tempo real para todas as câmaras do
País.
Fonte:
Assessoria Amom Mandel
Texto
copiado de:
https://revistacenarium.com.br/deputado-propoe-fim-de-camaras-municipais-em-cidades-com-menos-de-30-mil-habitantes/
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