Ranking
mostra cidades do Brasil com a melhor e a pior qualidade de vida em 2026; veja
a lista
Gavião
Peixoto (SP) lidera pelo 3º ano seguido o Índice de Progresso Social, que
avalia os 5.570 municípios do país. Uiramutã (RR) aparece na última posição.
Curitiba é a capital mais bem colocada; 19 das 20 piores cidades ficam no Norte
e Nordeste.
Por
Roberto Peixoto, g1
19/05/2026
23h59 Atualizado há 36 minutos
Um
ranking divulgado nesta quarta-feira (20) pelo instituto Imazon, em parceria
com outras organizações, aponta as cidades brasileiras com a melhor e a pior
qualidade de vida em 2026.
O
levantamento avalia os 5.570 municípios do país e mostra que as desigualdades
regionais continuam profundas: 18 das 20 cidades mais bem colocadas ficam no
Sul e Sudeste, enquanto 19 das 20 mais baixas colocações estão no Norte e no
Nordeste.
Pelo
terceiro ano seguido, Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, lidera o ranking.
A cidade, que tem cerca de 4,8 mil habitantes, marcou 73,10 pontos em uma
escala que vai de 0 a 100. Em último lugar aparece Uiramutã, em Roraima, com
42,44 pontos.
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O
cálculo é feito pelo Índice de Progresso Social (IPS), que mede e classifica a
qualidade de vida com base em 57 indicadores sociais e ambientais. As
informações vêm de fontes públicas como DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas.
MUNICÍPIOS
COM PONTUAÇÕES MAIS ALTAS NO IPS BRASIL 2026
Pontuações
dos 20 municípios brasileiros com os desempenhos mais altos no IPS Brasil 2026,
com exceção do distrito de Fernando de Noronha (PE)*.
- Gavião Peixoto (SP) — 73,10
- Jundiaí (SP) — 71,80
- Osvaldo Cruz (SP) — 71,76
- Pompéia (SP) — 71,76
- Curitiba (PR) — 71,29
- Nova Lima (MG) — 71,22
- Gabriel Monteiro (SP) — 71,16
- Cornélio Procópio (PR) — 71,16
- Luzerna (SC) — 71,10
- Itupeva (SP) — 71,08
- Rafard (SP) — 71,08
- Presidente Lucena (RS) — 71,05
- Adamantina (SP) — 70,97
- Maringá (PR) — 70,87
- Alto Alegre (RS) — 70,86
- Ribeirão Preto (SP) — 70,80
- Brasília (DF) — 70,73
- Barra Bonita (SP) — 70,71
- Araraquara (SP) — 70,70
- Águas de São Pedro (SP) — 70,66
*O
IPS Brasil considera Fernando de Noronha (PE) como município no ranking, por
reunir os dados necessários para o cálculo do índice.
Diferentemente
do PIB, que mede a riqueza gerada, o IPS quer saber se essa riqueza chega à
vida das pessoas.
"O
IPS é um índice que surge de um entendimento de que desenvolvimento econômico,
por si só, não corresponde necessariamente a desenvolvimento social",
afirma ao g1 Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil.
"A
proposta é medir o que realmente importa na vida das pessoas, diferente de
métricas tradicionais, que olham principalmente o quanto foi gasto em
determinada área, para olhar o que de fato as pessoas se beneficiaram com o
investimento que foi feito".
MUNICÍPIOS
COM PONTUAÇÕES MAIS BAIXAS NO IPS BRASIL 2026
Pontuações
dos 20 municípios brasileiros com os desempenhos mais baixos no IPS Brasil
2026, com exceção do distrito de Fernando de Noronha (PE)*.
- Uiramutã (RR) — 42,44
- Jacareacanga (PA) — 44,32
- Alto Alegre (RR) — 44,72
- Portel (PA) — 45,42
- Amajari (RR) — 45,58
- Pacajá (PA) — 45,87
- Anapu (PA) — 45,91
- Japorã (MS) — 46,23
- Santa Rosa do Purus (AC) — 46,70
- Uruará (PA) — 46,80
- Trairão (PA) — 46,82
- Bannach (PA) — 47,23
- São Félix do Xingu (PA) — 47,38
- Recursolândia (TO) — 47,39
- Cumaru do Norte (PA) — 47,43
- Peritoró (MA) — 47,53
- Oeiras do Pará (PA) — 47,57
- Ladainha (MG) — 47,58
- Anajás (PA) — 47,62
- Paranã (TO) — 47,63
*O
IPS Brasil considera Fernando de Noronha (PE) como município no ranking, por
reunir os dados necessários para o cálculo do índice.
A
nota média do Brasil ficou em 63,40 — uma melhora pequena em relação a 2025
(63,05) e 2024 (62,85).
"O
progresso foi tímido. A maioria dos municípios subiu no máximo um ou dois
pontos de um ano para o outro", diz Melissa.
CURITIBA
LIDERA ENTRE AS CAPITAIS
Curitiba
(PR) é a capital com melhor qualidade de vida, com 71,29 pontos. Em seguida vêm
Brasília (70,73), São Paulo (70,64), Campo Grande (69,77) e Belo Horizonte
(69,66).
Na
outra ponta aparecem Macapá (59,65) e Porto Velho (58,59) — as duas únicas
capitais que ficaram fora do grupo dos melhores desempenhos do país.
Curitiba
lidera o ranking das capitais pelo segundo ano seguido. Segundo Wilm, para
alcançar uma pontuação alta no IPS, um município precisa apresentar bom
desempenho de forma sistemática, consistente e equilibrada entre todas as áreas
avaliadas pelo índice.
"Curitiba
é uma das capitais que tem um desempenho elevado em praticamente todas essas
áreas, em especial no componente de qualidade do meio ambiente, com indicadores
que olham para áreas verdes urbanas, emissões de CO2 e desmatamento", diz
a coordenadora.
Mesmo
as capitais com melhor desempenho no índice ainda enfrentam desafios
importantes. Segundo Melissa, nenhum município brasileiro está livre de
fragilidades ou áreas que exigem atenção.
Em
Curitiba, por exemplo, um dos pontos de alerta está na inclusão social,
especialmente em indicadores ligados à população em situação de rua.
"Curitiba
é um município que tem uma fragilidade dentro do tema de inclusão social, em
indicadores como famílias em situação de rua, que precisam de atenção dentro
dessa capital", afirma.
PONTUAÇÕES
DAS CAPITAIS NO IPS BRASIL 2026
- Curitiba (PR) — 71,29
- Brasília (DF) — 70,73
- São Paulo (SP) — 70,64
- Campo Grande (MS) — 69,77
- Belo Horizonte (MG) — 69,66
- Goiânia (GO) — 69,47
- Palmas (TO) — 68,91
- Florianópolis (SC) — 68,73
- João Pessoa (PB) — 67,73
- Cuiabá (MT) — 67,22
- Rio de Janeiro (RJ) — 67,00
- Porto Alegre (RS) — 66,94
- Natal (RN) — 66,82
- Aracaju (SE) — 66,35
- Vitória (ES) — 66,02
- Teresina (PI) — 66,02
- São Luís (MA) — 65,64
- Fortaleza (CE) — 65,15
- Boa Vista (RR) — 64,49
- Manaus (AM) — 63,91
- Belém (PA) — 63,90
- Rio Branco (AC) — 63,44
- Recife (PE) — 63,22
- Salvador (BA) — 62,18
- Maceió (AL) — 61,96
- Macapá (AP) — 59,65
- Porto Velho (RO) — 58,59
NORTE
TEM OS PIORES INDICADORES AMBIENTAIS
A
região Norte, que reúne os municípios da Amazônia Legal, concentra os piores
desempenhos do IPS Brasil.
O
dado chama atenção porque aparece até mesmo no componente de Qualidade do Meio
Ambiente, contrariando a percepção de que a região estaria automaticamente
associada à conservação ambiental.
Segundo
Wilm, esse padrão vem se repetindo de forma consistente nas três edições já
divulgadas.
Os
indicadores ambientais considerados pelo IPS incluem desmatamento acumulado,
emissões de gases de efeito estufa, focos de calor e supressão de vegetação.
No
ranking estadual, o Distrito Federal lidera, com 70,73 pontos, seguido por São
Paulo (67,96), Santa Catarina (65,58), Paraná (65,21) e Minas Gerais (64,66).
Na outra ponta aparecem Pará (55,80), Maranhão (57,59) e Acre (58,03).
A
diferença de quase 15 pontos entre o primeiro e o último colocado, segundo
Wilm, evidencia a desigualdade entre os estados brasileiros.
Assim,
se o Brasil fosse comparado às próprias unidades da federação, ocuparia apenas
a décima posição.
PONTUAÇÕES
DAS UNIDADES DA FEDERAÇÃO NO IPS BRASIL 2026
- Distrito Federal — 70,73
- São Paulo — 67,96
- Santa Catarina — 65,58
- Paraná — 65,21
- Minas Gerais — 64,66
- Goiás — 64,52
- Mato Grosso do Sul — 64,14
- Espírito Santo — 63,61
- Rio de Janeiro — 63,47
- Rio Grande do Sul — 63,39
- Paraíba — 62,39
- Sergipe — 62,10
- Rio Grande do Norte — 61,83
- Mato Grosso — 61,38
- Ceará — 61,22
- Pernambuco — 60,58
- Tocantins — 60,50
- Piauí — 60,48
- Roraima — 59,65
- Amazonas — 59,34
- Alagoas — 58,97
- Bahia — 58,72
- Rondônia — 58,60
- Amapá — 58,10
- Acre — 58,03
- Maranhão — 57,59
- Pará — 55,80
Entre
os 12 componentes avaliados pelo índice, o que mais avançou de 2025 para 2026
foi o de Acesso à Informação e Comunicação, impulsionado pelo aumento do acesso
da população a tecnologias e meios de comunicação.
Já
Inclusão Social apresentou queda na série histórica. O componente mede
indicadores ligados, por exemplo, à representação de mulheres e pessoas negras
nas câmaras municipais, violência contra minorias e famílias em situação de
rua.
Moradia
segue como a área de melhor desempenho do país, com nota média de 87,95. Já
Direitos Individuais aparece como o componente mais crítico, com média de
39,14.
ENTENDA
O QUE É O IPS BRASIL
O
Índice de Progresso Social (IPS) Brasil avalia a qualidade de vida nos 5.570
municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais. O
índice não mede apenas riqueza ou PIB, mas busca mostrar se a população
consegue acessar direitos, serviços e condições básicas de vida.
O
IPS Brasil é desenvolvido em parceria entre o Imazon, a Fundação Avina, a
Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress
Imperative.
Os
indicadores são divididos em três grandes dimensões:
- Necessidades Humanas Básicas
Teve
a melhor média nacional, com 74,58 pontos. Avalia temas ligados a alimentação,
saúde, moradia, saneamento e segurança. O componente Moradia registrou a maior
nota do país: 87,95 pontos.
- Fundamentos do Bem-Estar
Obteve
média de 68,81 pontos e reúne indicadores relacionados a educação, acesso à
internet, saúde e qualidade ambiental. O componente Acesso à Informação e
Comunicação foi o que mais cresceu entre 2025 e 2026, impulsionado pela
ampliação do acesso a tecnologias e meios de comunicação.
Ao
mesmo tempo, o índice aponta que estados da Amazônia Legal concentram os piores
resultados em Qualidade do Meio Ambiente, influenciados por desmatamento
acumulado, focos de calor e emissões de gases de efeito estufa.
- Oportunidades
Foi
a dimensão com pior desempenho no país, com média de 46,82 pontos, repetindo o
padrão das edições anteriores. Reúne indicadores ligados a direitos
individuais, inclusão social, liberdades pessoais e acesso ao ensino superior.
Os
piores resultados apareceram justamente nos componentes de Direitos Individuais
(39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22). Segundo
o relatório, a área de Inclusão Social vem registrando queda desde 2024,
refletindo problemas como violência contra minorias, baixa representatividade
política e aumento de famílias em situação de rua.
O
estudo também divide os municípios brasileiros em nove grupos, dos melhores aos
piores desempenhos. Em 2026, 706 cidades ficaram no grupo mais bem avaliado,
enquanto apenas 23 municípios apareceram na faixa mais crítica.
Link
da reportagem: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/05/19/ranking-ips-2026.ghtml
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