Arqueólogos
recuperam parte da história do Brasil Imperial em Nova Iguaçu, na Baixada
Fluminense
Cerca
de 100 mil objetos ou fragmentos já foram encontrados desde que a pesquisa
começou, três anos atrás.
Por
Jornal Nacional
19/05/2026
22h16 Atualizado há 3 horas
O
trabalho de arqueólogos recuperou uma parte da história do Brasil Imperial em
Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A área da escavação já foi uma vila de
passagem para quem seguia para o Rio de Janeiro.
Em
um caco de louça cabe um palácio. E quantos cacos de louça cabem em uma cidade
inteira? Uma equipe de escavações tenta achar um por um.
Pedro
Bassan, repórter: E pensar que alguém perdeu um objeto aqui e você está
encontrando quase 200 anos depois?
Diogo
Borges, arqueólogo: Duzentos anos depois, e isso é uma alegria, né?
No
século 19, o lugar era tão importante que recebeu até a visita do imperador.
Mas depois se tornou um canto quase esquecido de um grande município da Região
Metropolitana do Rio, com quase 800 mil habitantes: Nova Iguaçu.
E
quem passa por lá pode se perguntar: existe a velha Iguaçu? Existia, e
desapareceu. Um paredão de pedra é um dos últimos vestígios do lugar que já foi
um dos portos mais movimentados do Brasil. Hoje, a antiga Vila de Iguassú está
renascendo. Arqueólogos estão descobrindo uma cidade brasileira debaixo da
terra. Todo dia, toda hora.
Repórter:
A Sabrina acabou de achar.
Sabrina
Taveira da Silva, historiadora: Pedaço de louça.
Repórter:
Pedaço de louça, olha só, posso pegar?
Sabrina
Taveira da Silva: Claro.
Diogo
Borges: Provavelmente a borda de um prato.
Repórter:
Que legal. Parabéns, viu?
Os
moradores têm orgulho desse passado. O terreno todo esburacado era o quintal do
Allan Ferreira de Lucena, que autorizou os trabalhos:
“A
gente ia cavar para botar um mourão, às vezes achava um objeto, alguma coisa.
Meu pai sempre fez questão de que nós zelássemos por isso. Não, não tira a
pedra não, deixa”, conta.
Cerca
de 100 mil objetos ou fragmentos já foram encontrados desde que a pesquisa
começou, três anos atrás. Cada peça é um pequeno retrato do Brasil inteiro
naquela época.
“Em
Vila de Iguassú, a gente tem, assim, uma sociedade que se estrutura e que tem o
mesmo padrão de consumo dos outros centros”, diz a arqueóloga Cleide Trindade.
E
se existem tantas coisas, é porque muitas pessoas andaram por aquela estrada,
pisaram naquele chão. A vila atraía tanta gente porque era um lugar de
transição entre a estrada e o rio. Uma espécie de via expressa do café até a
antiga capital do Brasil.
“A
gente tem outros caminhos por terra que levava cerca de 60, 90 dias. Aqui, você
vai levar 15 dias”, conta o arqueólogo Diogo Borges.
A
mesma riqueza que ergueu a vila disse adeus rapidamente. Quando o café passou a
ser transportado de trem, Iguassú Velha foi abandonada. A cidade se mudou
inteira para perto da estação, a cerca de 15 km dali. Mas no chão antigo, os
tijolos se recusam a desaparecer e agora estão ganhando cores novamente.
Em
abril, a cidade abriu um museu para expor as relíquias encontradas. A pasta de
dente vinha em um potinho de louça direto de Paris. A joia da coroa é o botão
com o símbolo do imperador. E as peças inteiras, montadas de caco em caco.
Alguns pedaços ainda estão faltando. Mas, debaixo das pastagens tem uma cidade
escondida, e eles vão procurar até o fim.
Link
da reportagem: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/05/19/arqueologos-recuperam-parte-da-historia-do-brasil-imperial-em-nova-iguacu-na-baixada-fluminense.ghtml

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