Contador
que trabalhou para Lula é alvo de operação que mira o PCC, diz jornal
Por
Gazeta do Povo
09/04/2024
às 11:48
Atualizado
em 09/04/2024 às 12:09
O
contador João Muniz Leite – que trabalhou para Fabio Luis Lula da Silva, o
Lulinha, e para o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – é um dos
alvos de uma operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao
Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), nesta
terça-feira (9). Segundo as investigações, Leite seria um dos principais
responsáveis por um esquema de lavagem de dinheiro que envolve a facção
criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas que operam o transporte
público na capital paulista. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
A
operação mira a lavagem de recursos provenientes de tráfico de drogas, roubos e
outros delitos. O esquema seria realizado através da Upbus e da TW, duas
empresas de ônibus que transportam quase 700 mil passageiros, diariamente, em
São Paulo. Segundo o MPSP, só em 2023 a prefeitura da capital paulista pagou
mais de R$ 800 milhões em remuneração às empresas.
A
Gazeta do Povo tentou contato com a Upbus e a TW, mas não obteve resposta. A
reportagem não conseguiu contato com João Muniz Leite. O espaço segue aberto
para manifestações.
SERVIÇOS
A TRAFICANTE E PRÊMIOS NA LOTERIA
Estão
sendo cumpridos quatro mandados de prisão e 52 mandados de busca e apreensão na
operação desta terça-feira. De acordo com o Estadão, o ex-contador de Lula
estaria envolvido no esquema orquestrado pelo PCC por meio da empresa Upbus. Um
dos indícios da lavagem dos recursos é o pagamento de dividendos: enquanto a
Upbus registrava prejuízos de até R$ 5 milhões por ano, apenas um dos
acionistas, Admar de Carvalho Martins, ganhou mais de R$ 15 milhões a título de
distribuição de lucros.
Ainda
segundo as investigações, o contador seria ligado a Martins e a outros líderes
do PCC. Um dos indícios é o fato de ele ter transmitido declarações de renda de
traficantes da facção. Em 2022, em depoimento, Leite admitiu que teve um dos
traficantes, Anselmo Santa Fausta, o Magrelo, como cliente – mas afirmou que o
conhecia apenas por um nome falso. À época, o contador negou participação na
lavagem de dinheiro do crime organizado.
Leite
estava na mira das autoridades desde 2021, quando se tornou suspeito por ter
recebido 55 prêmios na loteria.
Agora,
dados da Polícia Federal mostram que ele e a mulher ganharam, juntos, 640 vezes
na Lotofácil, na Mega Sena e na Quina, segundo o Estadão. A Receita Federal
concluiu que os rendimentos do contador não são compatíveis com a renda bruta
das empresas dele, mesmo se acrescidos os valores dos prêmios nas loterias.
ESQUEMA
TEM MAIS DE DUAS DÉCADAS
Investigações
apontaram que o esquema envolvendo empresas e cooperativas de ônibus de São
Paulo vem sendo estruturado desde o início dos anos 2000. Lincoln Gakiya,
promotor do Gaeco, já afirmou que o PCC está se consolidando como uma máfia e
se infiltrando em serviços públicos.
Em
2021, uma estimativa do MPSP apontava que o PCC tinha mais de 112 mil membros.
No ano passado, o Gaeco estimou que a fação movimente R$ 4,9 bilhões por ano, a
maior parte oriunda do tráfico internacional de drogas.
Link
da reportagem: https://www.gazetadopovo.com.br/sao-paulo/ex-contador-lula-operacao-pcc-sao-paulo/


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