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sexta-feira, 2 de julho de 2021

É #FAKE que relatório oficial britânico pede que vacinação contra Covid seja suspensa urgentemente

É #FAKE que relatório oficial britânico pede que vacinação contra Covid seja suspensa urgentemente

Documento não foi emitido pelo governo britânico. Na verdade, foi produzido por organização que defende medicamentos sem comprovação científica. Relatório usa indevidamente relatos de eventos adversos com a vacina que qualquer cidadão pode informar sem que tenha de apresentar prova. Autoridade sanitária do Reino Unido desmente mensagem falsa.

Por Roney Domingos, G1
 
29/06/2021 14h55  Atualizado há 2 dias
 
Circula pelas redes sociais uma mensagem que diz que um relatório oficial britânico pede com urgência que a vacinação contra a Covid-19 seja interrompida. É #FAKE.
 
O tal "relatório britânico" não foi produzido por um órgão oficial. Na verdade, foi feito por uma organização chamada The Evidence-Based Medicine Consultancy Ltd, que recomenda medicamentos sem comprovação científica para prevenir e tratar a Covid-19.
 
A peça usa indevidamente relatos ao Yellow Card, sistema do governo britânico que coleta e monitora informações sobre suspeitas de problemas de segurança ou incidentes envolvendo vacinas e outros produtos. O objetivo do Yellow Card é coletar informações preliminares sobre a segurança de um produto para ver se será necessário ou não fazer uma investigação mais aprofundada.
 
Ocorre que qualquer pessoa pode fazer relatos ao Yellow Card, assim como ao Vaccine Adverse Event Reporting System (Vaers), nos Estados Unidos, e à Anvisa, no Brasil.
 
Esses sistemas recebem dados que são utilizados como subsídio para o processo de monitoramento de vacinas e outros produtos. Esses dados são considerados de menor evidência científica. No entanto, grupos antivacina usam essas informações sem tratamento científico para fazer propaganda contra os imunizantes.
 
O Fato ou Fake já checou mensagens falsas baseadas nesses dados e desmentidas pelas agências:
 


O texto falso afirma ainda que o relatório emitido pela consultoria foi submetido à autoridade sanitária do Reino Unido, a Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency (MHRA). "O MHRA agora tem evidências mais do que suficientes sobre o sistema Yellow Card para declarar as vacinas Covid-19 inseguras para uso em humanos", diz a mensagem falsa.
 
Procurada pelo G1, a MHRA desmente essa afirmação.
 
“Mais de 75 milhões de doses de vacinas contra Covid-19 já foram administradas no Reino Unido, salvando milhares de vidas por meio do maior programa de vacinação já realizado neste país", diz a executiva-chefe da MHRA, June Raine.
 
Ela afirma que a grande maioria das reações adversas suspeitas relatadas é leve. Notificações de suspeitas de reações mais sérias são monitoradas cuidadosamente de acordo com a estratégia de vigilância da vacina Covid-19 da MHRA, com ações tomadas e comunicadas conforme necessário.
 
"Nenhum medicamento ou vacina eficaz é isento de riscos. Nosso conselho é que os benefícios da vacina superam os riscos na maioria das pessoas. Ainda é de vital importância que as pessoas se apresentem para a vacinação e para a segunda dose quando forem convidadas a fazê-lo. Pedimos a qualquer pessoa que suspeite ter experimentado um efeito colateral relacionado à vacina contra Covid-19 que informe ao site do Yellow Card", complementa.
 
A assessoria do MHRA, afirma, adicionalmente, que, para todas as vacinas, uma revisão detalhada de todos os relatórios revela que a grande maioria está relacionada a reações no local da injeção (braço dolorido, por exemplo) e sintomas generalizados, como uma doença 'semelhante à gripe', dor de cabeça, calafrios, fadiga (cansaço), náusea (sensação de enjoo), febre, tontura, fraqueza, dores musculares e taquicardia.
 
Geralmente, esses sintomas acontecem logo após a vacinação e não estão associados a doenças mais sérias ou duradouras. "Esses tipos de reação refletem a resposta imune aguda desencadeada pelo corpo às vacinas, são normalmente observados com a maioria dos tipos de vacina e tendem a se resolver em um ou dois dias. A natureza das ADRs suspeitas relatadas em todas as idades é amplamente semelhante", diz.

É #FAKE vídeo em que mulher diz que mais de 500 pessoas morreram após tomar vacina contra a Covid-19 no país

É #FAKE vídeo em que mulher diz que mais de 500 pessoas morreram após tomar vacina contra a Covid-19 no país

Números citados em português são referentes a dados enviados ao sistema de notificações do governo norte-americano e que não são confirmados pelas autoridades de saúde dos EUA.

Por Roney Domingos, G1
 
04/03/2021 20h08  Atualizado há 3 meses

Circula pelas redes sociais um vídeo em que uma mulher diz, em português, que mais de 500 pessoas morreram após tomar a vacina contra o novo coronavírus e que outras 11 mil tiveram algum tipo de reação adversa no período de 45 dias. A legenda do vídeo diz: "501 pessoas morreram após tomar a vacina contra Covid". É #FAKE.
 
Em dado momento, a mulher recomenda entrar no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para olhar todo o relatório das vacinas que são empregadas no Brasil, o que sugere que os números citados são relacionados ao Brasil.
 
No entanto, a Anvisa deixa claro que os dados públicos de notificações do uso de vacinas para Covid-19 não indicam qualquer relação das vacinas com eventos adversos graves ou óbitos no país.
 
A agência reafirma o mencionado nesta semana ao desmentir uma mensagem falsa sobre a morte de 26 pessoas após vacina no Brasil. "Não temos óbitos relacionados ao uso da vacina. Esta fake news sobre 501 mortes circulou nos EUA primeiramente."

Dados do Vaers
Os dados mencionados no vídeo foram citados em um texto da publicação The Defender, ligada ao advogado e militante antivacina Robert F. Kennedy Jr, que citou o levantamento em seu perfil verificado no Twitter.
 
Os números citados no levantamento são extraídos do Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS) do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Mas eles não são dados finais, tampouco confirmados pelas autoridades de saúde.
 
O próprio Vaers deixa claro, em seu site, que é um sistema de relatório passivo, o que significa que depende de indivíduos que podem enviar relatórios de suas experiências ao CDC e à FDA (Food And Drug Administration), equivalente à Anvisa brasileira.
 
"Qualquer pessoa pode relatar um evento adverso ao VAERS. O VAERS não foi projetado para determinar se uma vacina causou um problema de saúde, mas é especialmente útil para detectar padrões incomuns ou inesperados de notificação de eventos adversos que podem indicar um possível problema de segurança com uma vacina. O VAERS pode fornecer ao CDC e à FDA informações valiosas de que trabalho e avaliação adicionais são necessários para avaliar uma possível preocupação de segurança."

É #FAKE mensagem que fala em mais de 20 óbitos em 24h por reações a vacinas registrados pela Anvisa

É #FAKE mensagem que fala em mais de 20 óbitos em 24h por reações a vacinas registrados pela Anvisa

Agência Nacional de Vigilância Sanitária afirma que informação não é verdadeira e esclarece que os dados públicos de notificações do uso de vacinas contra o coronavírus não indicam qualquer relação com eventos adversos graves. 'Até o momento, não há nenhum caso de óbito conhecido que tenha relação estabelecida com o uso das vacinas para Covid-19 autorizadas no país.'

Por Roney Domingos
 
02/03/2021 20h55  Atualizado há 3 meses

Circula pelas redes sociais um texto que afirma que a Anvisa registrou 26 óbitos decorrentes das vacinas em apenas 24 horas. É #FAKE.
 
Procurada pelo G1, a Anvisa afirma que "esta informação não é verdadeira" e que fez "uma nota a respeito dessa distorção de dados".
 
A nota oficial da Anvisa afirma que "os dados públicos de notificações do uso de vacinas para Covid-19 não indicam qualquer relação das vacinas com eventos adversos graves ou óbitos no país". "O uso de dados de forma descontextualizada ou sem a interpretação técnica necessária pode levar a conclusões falsas."
 
O texto explica que "a avaliação benefício-risco leva em conta um conjunto grande de informações e os registros informados pelos usuários são apenas uma dessas fontes". "As outras envolvem os relatórios de segurança das fabricantes, os sinais de segurança gerados pelo modelo matemático da Organização Mundial de Saúde (OMS), a troca de informações com outras autoridades regulatórias e a discussão em grupos de especialistas."
 
"Até o momento, não há nenhum caso de óbito conhecido que tenha relação estabelecida com o uso das vacinas para Covid-19 autorizadas no país. As vacinas em uso no país são consideradas seguras. Não houve alteração na relação de risco e benefício deste produto. Já é esperado que pessoas venham a óbito por outros motivos de saúde e mesmo por causas naturais, tendo em vista a taxa de mortalidade já conhecida para cada faixa etária da população brasileira."
 
A nota da Anvisa diz ainda que "as notificações sobre vacinas e medicamentos são enviadas à Anvisa principalmente por profissionais e serviços de saúde, além dos próprios fabricantes que são obrigados a comunicar os eventos suspeitos e que possam ser graves". "Estes dados são utilizados pela Anvisa como subsídio para o seu processo de monitoramento. Como são dados notificados por terceiros, eles são considerados de menor evidência científica e servem apenas como sinalizadores para o trabalho de monitoramento da Anvisa. A análise completa envolve os processos mencionados anteriormente."
 
Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e integrante da Comissão de Epidemiologia da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), José Cássio de Moraes aponta que as pessoas que estão sendo vacinadas pertencem ao grupo de maior risco por serem idosas.
 
"Dados de 2019 mostram que no Brasil morrem por dia 1.123 idosos com 80 anos ou mais, ou seja, 46 por hora. A cada dia de vacinação, morrem mais de mil pessoas por outras causas. Portanto, uma associação temporal com a vacinal é esperada. A vacina da Covid não elimina a mortalidade por todas as causas. As características das vacinas disponíveis no Brasil não causam óbito."