Por
que o TSE recuou e liberou campanha de Renan Santos
Rute
Pina
Role,Da
BBC News Brasil em São Paulo
O
ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), liberou nesta
terça-feira (1/9) a realização de propaganda eleitoral da chapa de Renan
Santos, candidato à Presidência da República pelo partido Missão.
Renan
pode agora voltar a fazer campanha nos perfis já registrados no tribunal. A
decisão determina que as plataformas restabeleçam, em até duas horas, o
funcionamento de seus perfis.
Toffoli
também liberou o repasse de recursos de campanha à chapa e a participação em
debates em rádios e na televisão.
O
candidato havia tido a campanha suspensa na internet depois de a Justiça
Eleitoral identificar que ele não havia feito o registro de todos os seus
perfis em redes sociais.
Foram
16 perfis em redes sociais bloqueados: sete contas banidas no Instagram, sete
no TikTok, uma no Facebook e um canal no YouTube.
Toffoli
considerou que ele "violou frontalmente" as regras do TSE ao omitir
os perfis durante o registro da sua candidatura.
Segundo
a decisão anterior, as contas em redes sociais foram informadas somente 12 dias
após o requerimento de registro.
Para
o ministro, Renan Santos se beneficiou com a demora para informá-los com
recomendação dos algoritmos das plataformas.
Advogados
eleitorais ouvidos pela BBC News Brasil avaliaram que houve "excesso"
na decisão de Toffoli e que a suspensão da campanha foi "abusiva".
Segundo esses especialistas, o ministro deveria ter suspendido apenas contas
ilegais, e não toda a campanha.
Já
Renan chamou a decisão de "autoritária" e informou nesta terça que
havia entrado com um mandado de segurança no TSE para a decisão fosse analisada
pelo plenário do tribunal.
A
jornalistas, Renan Santos disse que, na prática, sua candidatura estava
impedida. "Foi cassação branca. Eu continuo sendo candidato, mas estou
impedido de fazer praticamente tudo o que um candidato faz", disse.
O
candidato do Missão disse enxergar a decisão como retaliação a quatro
manifestações contra Toffoli pelo suposto envolvimento do ministro no escândalo
do Banco Master.
"Ao
longo desse ano, denunciei diversas vezes a relação do ministro com figuras
ligadas ao Banco Master e organizei protestos pelo seu impeachment. Quero crer
que essa decisão tenha sido uma mera coincidência", publicou no X,
Dias
Toffoli sempre negou qualquer ilegalidade na sua relação com o Master e seu
dono, o banqueiro Daniel Vorcaro, preso acusado de cometer uma fraude
bilionária.
POR QUE TOFFOLI RECUOU?
Na
decisão desta terça, Toffoli afirma que a suspensão das redes, dos repasses do
fundo eleitoral e da participação em debates foi determinada para preservar os
dados que constavam na rede e permitir, assim, a fiscalização.
"Não
se trata de sanções, tampouco do poder de polícia em matéria de propaganda, mas
de medidas jurisdicionais aplicáveis no âmbito do poder geral de cautela",
afirmou o magistrado na decisão.
"Assim,
não há dúvidas de que as providências – cuja necessidade decorre tão somente
das opções feitas pelo partido e por seus candidatos – foram determinadas no
exercício da competência para instrução e julgamento do registro de
candidatura."
Após
a primeira decisão, afirmou o ministro, a Assessoria Especial de Enfrentamento
à Desinformação (AEED) do TSE examinou os perfis indicados por Renan e
certificou os conteúdos encontrados entre 7 de agosto, data do pedido de
registro, e 30 de agosto.
Segundo
Toffoli, foram feitas capturas de tela das publicações e recomendações
encontradas.
As
plataformas também comunicaram ao tribunal o cumprimento das determinações para
preservar os dados disponíveis desde 7 de agosto relacionados às contas
indicadas na ordem judicial.
A
liberação não significa que Toffoli considerou regular a conduta do candidato.
O ministro mantém o entendimento de que Renan Santos descumpriu a regra ao
informar à Justiça Eleitoral, com atraso, 16 perfis que seriam usados na
campanha.
Para
o ministro, a identificação prévia das redes é importante para garantir
transparência, fiscalização e igualdade entre candidatos.
O
candidato do Missão chamou a demora na informação sobre os perfis nas redes
sociais de "problema técnico" e disse que "centenas de outros
candidatos, quiçá milhares, também tiveram durante o registro das
candidaturas".
Na
decisão anterior, o ministro havia afirmado que deixar contas de fora da
relação poderia dar ao candidato uma vantagem sobre os concorrentes, já que
essas redes ficariam inicialmente fora do controle da Justiça Eleitoral.
Agora,
depois de o TSE preservar o conteúdo das contas e receber dados das
plataformas, Toffoli afirma que a finalidade da medida cautelar foi cumprida.
Toffoli
também determinou que a Procuradoria-Geral Eleitoral seja comunicada para
avaliar eventuais infrações eleitorais ou criminais.
PARTIDO MANTÉM MANIFESTAÇÕES
Após
a suspensão das redes, Renan Santos e seu partido convocaram manifestações em
diversas cidades, a principal em São Paulo, no Vão Livre do Masp.
Os
atos serão mantidos porque, segundo o candidato do Missão, também terão como
pauta o pedido de impeachment de Dias Toffoli e do ministro Alexandre de
Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em
entrevista coletiva, Renan citou as revelações desta terça-feira sobre as
trocas de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um
número atribuído a Moraes.
Os
diálogos, extraídos do celular de Vorcaro, revelam uma série de interações com
um contato dele salvo com o nome de Alexandre de Moraes. As mensagens, que
Renan chamou de "bizarras", revelam possíveis interações entre
Vorcaro e o ministro e com pessoas ligadas à família de Moraes.
"Sequer
reconheço Dias Toffoli como ministro, ele está ocupando uma posição ilegítima
não só na Suprema Corte como no TSE. Não só ele como o Alexandre de Moraes, que
hoje, com as revelações que tivemos, não tem nenhuma condição moral de estar em
qualquer posição de poder em uma república minimamente séria e
democrática", afirmou.
"O
Daniel Vorcaro faz um trabalho de lobby contínuo e continua vivo. Ele comprou
todos os entes da República brasileira e isso ainda interfere nas eleições de
2026", continuou Renan.
Ele
informou que protocolaria, ainda nesta terça, novos pedidos de impeachment
contra Moraes e Dias Toffoli.
Link
da reportagem: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c93vkpnk5qxo

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